Roseana, entre Washington e Monteiro, com a camisa do PT
Lula comunicou ao grupo Sarney que prefere eleger um senador que um vice-governador do PT no Maranhão.
A hipótese desfavorece as pretensões majoritárias do ex-deputado Washington Luiz e favorece a especulação de que a deputada estadual Helena Heluy pode compor a chapa de Roseana Sarney como candidata ao Senado.
Sondagens realizadas por Duda Mendonça, marqueteiro-chefe de Roseana, sugerem que Helena seria um nome bem mais leve para o Senado que o de Washington. A assessoria de Helena, entretanto, diz que nada mudou e que ela mantém a decisão de encerrar a carreira política este ano.
Para as duas vagas de senador que se oferecem este ano, o preferido, segundo a equipe de Duda, seriam os ex-governadores Edison Lobão e João Alberto, ambos do PMDB. Mas se a segunda vaga de senador for entregue ao PT, o vice-governador João Alberto concorre à reeleição.
Tática lulista
A tática lulista é a mesma em toda parte. Em Minas, por exemplo, a pressão é para que o partido desista de concorrer ao Governo, apóie o candidato peemedebista Hélio Costa e trate de eleger senadores.
Na opinião do presidente, a direita tende a tornar-se mais agressiva com Dilma Rousseff do que já foi com ele. Governadores não criam muitos problemas— querem saber é de convênios, parcerias e oposição construtiva. As crises políticas são geradas no Senado, com apoio da grande mídia antiesquerdista.
'Revolução'
Orientado pelo comando nacional, o diretório regional do PT, presidido por Raimundo Monteiro, reuniu neste domingo a maioria dos delegados do partido numa conversa festiva com Roseana Sarney.
Estavam também presentes os três secretários petistas de Roseana —Edmilson Santos, de Desenvolvimento Social; José Antônio Heluy, de Trabalho e Economia Solidária; e Anselmo Raposo, de Educação — e delegados da corrente Construindo um Novo Brasil,a mesma de Lula e Dilma Rousseff, entre os quais o ex-deputado Washington Luiz, líder do grupo.
Foi lido um manifesto petista favorável à coligação com o PMDB e de apoio a Lula.
“Recebi o incentivo do presidente Lula para formalizar esta parceria com o PT e sei que, juntos, podemos fazer uma revolução no Maranhão”, disse a governadora.
Monteiro informou que “mais de 90” delegados petistas, a maioria, são favoráveis ao acordo com o PMDB.
No encontro estadual de março, a tese PMDB perdeu de 87 a 85, com três abstenções, para a que defendia coligação com o PCdoB de Flávio Dino. Mas a direção nacional ainda não homologou o resultado, nem julgou recurso que aponta falhas na votação (uma delegada pro-PMDB teria sido irregularmente substituída por suplente pro-PCdoB).
Sangue quente
Repetidas declarações do deputado Domingos Dutra de que haverá sangue e mortes se a tese PMDB prevalecer tornam improvável que o PT realize novo encontro estadual para rediscutir a tática.
“O caso do Maranhão vai ser decidido pela direção nacional”, anunciou José Eduardo Dutra, presidente nacional do PT.