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08.05.10
Crise na esquerda do Maranhão
 
 

Flávio Dino chutou o pau da barraca, atacando preventivamente a direção nacional do PT, porque sente difícil levar o PT para seu palanque este ano, e tenta ampliar ao máximo a dissidência que haverá de acompanhá-lo. A maioria dos mais conhecidos militantes petistas de São Luís está com ele, embora, no voto a voto intrapartidário, o grupo mais afinado com Lula ganhe todas.


Segundo o pre-candidato do PCdoB, advogado profissional e peladeiro nas horas vagas, se o PT decidir pela coligação com o PMDB de Roseana isso será um “golpe”, um “gol de mão”, uma prorrogação anunciada depois que um dos times já venceu no tempo regulamentar.


Foram declarações tão agressivas que até o pacífico Raimundo Monteiro, presidente do diretório regional, reagiu na hora: “Ele que vá cuidar do partido dele. O PCdoB participou durante sete anos de dois governos Roseana e ninguém do PT se achou no direito de condená-lo por causa disso”.


O bate-boca resulta no seguinte: para admitir a aliança com o PCdoB partido superfiel a Lula no plano nacional, mais talvez que o próprio PT a cúpula petista terá que entregar Monteiro e outros da mesma corrente às feras. Improvável.


Sem intervenção


O boato de que a direção nacional do PT vai “intervir” no Maranhão não procede. Só se fosse, por absurdo, para afastar Monteiro e fazer a vontade do PCdoB.


Afinado com a direção nacional, o diretório regional aprovou a participação no governo Roseana, onde o partido tem três secretários.  Fez como Lula quer.


Em março, encontro estadual petista optara pela coligação com o PCdoB, por 87 a 85, com três abstenções. Essa sentença, porém, ainda não “transitou em julgado”. Antes de tudo porque a direção nacional petista admitiu mas ainda não julgou a reclamação de que uma delegada foi impedida irregularmente de votar. A reclamante declarou apoio à tese PMDB, mas acabou substituída por suplente que votou na tese contrária. Dependendo da sentença de 2o grau da justiça desportiva do PT, a votação pode ser anulada (porque o resultado “verdadeiro” teria sido o empate).


Câmara revisora


Mas não é só isso. Acontece que o congresso nacional do PT, o mesmo que convocou o encontro regional e fixou-lhe as regras, estabeleceu que as decisões nos estados poderiam ser revistas, no interesse da candidatura Dilma.


Certa ou erradamente, a cúpula petista — Lula, Dilma, José Eduardo Dutra, Zé Dirceu, os capas-pretas — entende que no Maranhão interessa coligar com o PMDB. De um jeito ou de outro, mas sem se afastar da legalidade intrapartidária, provavelmente fará com que isso prevaleça.


Em 1998 foi assim


Quem sabe da história e da política brasileira e maranhense não estranha.


Em 1994, quando Roseana concorreu ao Governo pela primeira vez, o PSDB estava com Cafeteira, na oposição.


Quatro anos depois, o trator Sérgio Mota, alter ego de FHC, reuniu o pessoal em São Luís e decretou: “Aqui é com Roseana”.


Alguns tucanos não queriam, mas acabaram coligando.

Nota: leitores (veja comentários abaixo) advertem corretamente que em 1998 o PSDM-MA acabou coligando com coligação adversa a Roseana. Como o partido estava dividido a respeito, chegou-se a uma solução de compromisso. A maioria ficou Cafeteira (PP), para governador. Mas o ex-governador João Castelo, entre outros, fez campanha para Roseana, sem que as duas facções se hostilizassem.


Fronteira ideológica


Flávio Dino é candidato para o que der e vier — agora provavelmente dá pouco, mas 2014 vem aí.


O problema é que ficou nervoso com a “reversão de expectativas” no PT.  Esqueceu até que Ciro Gomes (PSB), seu plano B, não é mais candidato, e que Marina Silva, ainda verde, não dá pé.


Se radicaliza contra o PT, acaba empurrado para as vizinhanças de Serra, o candidato da direita orgânica, nacional e transnacional. Uma contradição dialética antagônica, inadmissível nele próprio e no PCdoB. Aliás...


Nacional prevalece


O portal Vermelho, do PCdoB, exibe em primeiro plano artigo do militante comunista Eduardo Bomfim, secretário da Cultura de Alagoas. Intitula-se “O nacional e o regional” e, pelo destaque, soa como editorial do partido, embora pareça mais um ditado do PT nacional. Diz, em resumo:


O confronto é plebiscitário: esquerda versus direita, Dilma versus Serra, Lula versus anti-Lula etc.


A “centralidade” nacional “ordena e subordina as táticas e ‘urgências’ regionais. Até porque “os resultados (nacionais) das próximas eleições deverão influenciar .... o futuro dos estados, sem nenhuma exceção”.


“Em jogo estará, além da estratégica presidência da República, a renovação do Senado e da Câmara dos deputados, além dos governadores e Assembléias Legislativas. “


Leia a íntegra do artigo.

 
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