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“Maranhão é o 5o em criação de empregos no Nordeste”, anunciou em tom de alegria o Sistema Mirante na quinta-feira passada (18).
Parece uma boa notícia, mas é só ilusão de ótica. Quando se troca em miúdos, dá para entender por quê.
No recente mês de janeiro, segundo o ministro Carlos Lupi (Trabalho), o Brasil criou 181.419 empregos formais, assim distribuídos:
Sudeste – 79.652; Sul – 52.078; Centro-oeste – 24.271; Nordeste – 18.397; e Norte – 7.021. Os Estados que mais se destacaram foram São Paulo (51.159), Minas (20.492), S. Catarina (19.290) e Rio Grande do Sul (18.877).
O Maranhão, 17o lugar nacional, de fato é o quinto no Nordeste, com saldo de 816 empregos, atrás apenas de Bahia (14.424), Pernambuco (3.614), Sergipe (1.294) e Piauí (1.177). Esse “apenas” está no texto oficioso do iMirante ― que se esquece das seguintes referências:
O Brasil tem 26 estados; o Nordeste, nove. Relativamente ao país, o Maranhão criou mais empregos do que outros nove estados, mas perdeu para dezesseis. Seu desempenho regional foi melhor, mais ainda fraco.
Dos nove estados nordestinos, cinco, a maioria, criou mais empregos que o Maranhão em janeiro. E ainda é preciso considerar que o “5o lugar” do Maranhão refere-se a números absolutos. Relativamente à população em geral, à população economicamente ativa ou ao total de desempregados, a posição do estado piora.
Com mais de mais de 6 milhões de habitantes, equivalendo a 3,3% da população nacional (estimativa IBGE 2009), o Maranhão tem a quarta maior população regional. Só fica atrás de, pela ordem, Bahia, Pernambuco e Ceará.
Se o desempenho socioeconômico dos nove estados nordestinos fosse relativamente idêntico em janeiro, esses quatro deveriam liderar a criação de empregos em números absolutos. O Maranhão quase chega lá. Em vez do quarto lugar, ficou em quinto.
Tudo considerado, no Nordeste quem mais pode festejar é Sergipe, o menor estado brasileiro em território e um dos menores em população. Com apenas 2 milhões de habitantes, menos de um terço dos maranhenses, criou 1.294 empregos em janeiro, 58% mais que os 816 do Maranhão.
Bom tema para reflexão do petista José Antônio Heluy, atual secretário do Trabalho e Ação Solidária do governo Roseana Sarney.
MORTE NO PARÁ
Morreu na última sexta-feira um dos mais antigos e respeitados comunistas do Pará, Neuton Miranda, do PCdoB.
Morreu na faina. Entregava títulos de terra a lavradores de Bel Terra, no interior do Pará, em nome do governo Ana Júlia Carepa (PT), quando foi liquidado pelo enfarte.
Miranda era há muitos anos presidente do PCdoB paraense.
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