Busca:
Arquivo
Principal
Perfil
Antologia
Regras
Fale Conosco
Links:
 
12.02.10
O ventilador do professor
 
  Peço desculpas ao leitor se volto ao episódio da calúnia do professor Wagner Cabral, do Departamento de História da UFMA (Universidade Federal do Maranhão), que me acusou de divulgar uma “falsa pesquisa” supostamente encomendada para atender à “oligarquia Sarney” e seu desejo de “fragilizar os adversários”. (Leia abaixo desse texto o que ele chama de “artigo-denúncia” e veja se o agressor tem coragem de fazer o mesmo, divulgar minha resposta onde quer que tenha espalhado seu veneno).

Já fui alvo de muitas canalhices nesses meus tantos anos de jornalismo no Maranhão. Essa foi uma das maiores, mais estúpidas e mais inesperadas. Não existe falsa pesquisa, não participei de farsa nenhum, pouco me importam os interesses da oligarquia Sarney ou de qualquer outra, nem tenho o menor interesse em fortalecer ou fragilizar candidaturas. Em matéria abaixo, esclareci os fatos. A pesquisa sobre intenções de voto no Maranhão que comentei recentemente neste blogue, por algumas horas, retirando-a depois, existe.

Foi realizada pela Sensus em 50 municípios maranhenses e publicada em dezembro do ano passado.

Pesquisa real

No último dia 4, às 16h23, uma cópia digital dessa pesquisa foi enviada por e-mail de Brasília por Paulo Lago, sobrinho do ex-governador Jackson Lago, a uma lista de amigos e correligionários. Um dos destinatários publicou no portal Noca.com, de Caxias ― militante contra o grupo Sarney ― uma breve resenha dela, que me transmitiu por e-mail. Confiando na fonte ― pessoa amiga e geralmente bem informada ― reproduzi os números mais relevantes e comentei-os, supondo, como ele, que eram novidade. Horas depois, advertido por um leitor de que seria de pesquisa do final do ano passado, não de agora, mesmo sem prova disso, tirei a matéria do blogue, desculpando-me pela falha. Fiz mais. Dois dias depois, conforme prometera, esclareci em detalhes o que tinha ocorrido, chegando até a identificar, com documento, a participação original de Paulo Lago. Fui além do que seria normal para um erro tão breve e desimportante. Calúnia na Internet

Enquanto eu trabalhava assim, com transparência e honestidade, veja o que o professor Cabral espalhava na Internet, “pedindo divulgação”: “A oligarquia Sarney promoveu, mais uma vez, uma FARSA, com a divulgação de uma FALSA pesquisa para governador, com o objetivo manifesto de iludir e confundir a opinião pública, bem como de prejudicar as candidaturas de seus adversários. (...) os blogs de Walter Rodrigues (04/02) e Marco d´Eça (05/02), e talvez outros mais, divulgaram uma FALSA pesquisa... cuja autoria foi atribuída ao Instituto Sensus. (...) O objetivo era claro: anunciar o “favoritismo” de Roseana Sarney, bem como fragilizar as candidaturas adversárias.” Além de injusta e grosseiramente difamatória ― revelando um caráter que só me causa repugnância ― a acusação de Cabral é de uma insuperável estupidez. Quem seria tão idiota de inventar uma pesquisa do Sensus e divulgá-la na internet, sabendo que seria prontamente desmascarado? Quem lucraria com isso, senão os supostos alvos da manobra? Note que, quando Cabral fez a torpe acusação, eu já lhe havia dito, dialogando com o infeliz neste blogue, com base na informação de outro leitor, que a pesquisa provavelmente era a mesma que o Sistema Mirante divulgara no final do ano passado. Mesmo assim ele põe em caixa alta “FALSA pesquisa”, como se ela nunca tivesse existido. E acrescenta suas pestilências.

Razões da estupidez

Sabemos agora como tudo aconteceu, começando pelo e-mail circular de Paulo Lago. Mas não mudava nada se em vez de Paulo Lago fosse um Paulo Sarney qualquer o autor da mensagem. Para que e em nome de que alguém haveria de dar-se ao trabalho de enganar os amigos, só para fazer passar como atual uma pesquisa, entretanto também recente, já divulgada em 20 de dezembro? Resta saber com que pérfidas intenções o professor Cabral resolveu me acusar publicamente de uma idiotice como essa. Por nenhuma razão honesta, certamente. Do contrário a coerênca na estupidez mandaria que ele agora voltasse sua acusação de fraude a Paulo Lago (que também não a merece, como já antes assinalei). Sem esquecer da obrigação de retratar-se. Dito isso, o leitor precisa saber das razões pessoais que o motivaram. Elas remontam ao ano de 2005, quando dividimos uma mesa de debate na UFMA sobre a eleição municipal de 2004 no Maranhão.

Ilusão da cegueira

Naquele tarde de 2005, no campus do Bacanga, Cabral anunciou uma descoberta que, segundo ele, merecia ser manchete, algo que “nenhum jornalista havia notado”: o PFL maranhense sofrera um golpe profundo na eleição. Tinha perdido 20 ou 30 prefeitos, não me lembro mais, conforme as tabelas que exibiu. Atribuia o fenômeno a relevantes fatores políticos que também não recordo, nem tenho certeza se eram compreensíveis.

Fui obrigado a interrompê-lo, com a máxima delicadeza, acredite, para lhe observar que os prefeitos subtraídos ao PFL haviam sido acrescentados ao PV, conforme a própria tabulação do palestrante. Não em virtude de alguma revolução na consciência ecológica estadual. Apenas porque o deputado Sarney Filho passara de pefelê a verde, transferindo para o PV quase toda a sua base prefeitural no PFL. O “fenômeno” cabralino não passava de uma ilusão cartorial, que somente a um pesquisador preguiçoso ou distraído seria capaz de cegar.

Admito que não é fácil aguentar uma assim e que talvez eu devesse tê-lo deixado prosseguir incólume com sua fantasia. Pode ser. O fato é que, surpreendido, o professor declarou que “é, sim, sim, isso também influiu, sim, é claro, mas eu acho que não foi só isso”. Não mais que de repente, pois, a pretensão de “ciência política” cedia passo ao achismo mais chinfrim. Por cortesia, deixei passar, sem levar o debate adiante.

Duas oligarquias

Naquele dia também divergimos sobre outra coisa. Subscrevi uma declaração de Helena Heluy sobre as “duas oligarquias” existentes no Maranhão, a de Jackson e a de Sarney, enquanto ele sustentava que o jackismo era um movimento progressista. Abro parêntesis para esclarecer que meu entendimento evoluiu: já não falo de duas oligarquias, mas de um único sistema oligárquico, que abrange governos, parlamentos, tribunais e associações classistas ou profissionais, disputado por facções rivais cuja ferocidade nunca impediu o arreglo e a conciliação, quando isso lhes serve ao interesse. Qual não foi a minha surpresa quando, recentemente, a Internet me despeja cropológico artigo do mesmo sábio, cuja conclusão transcrevo: “E, por favor, não me peçam mais para escolher um lado.... Por fim.... posso apenas afirmar, em relação às duas facções oligárquicas.... a única atitude ética e política possível é puxar a descarga! Ou jogar no ventilador!”

Nepotismo conceitual

“Duas facções oligárquicas”... Com certeza o professor não pensava assim em 2005, nem ainda em 2007. Muito menos alguem suspeitaria de tanta ferocidade contra a facção jackista até a eleição municipal de 2008, ano em que o então governador, entre outras façanhas, entregou às baratas o candidato Léo Costa, “histórico” do PDT que concorria à prefeitura de Barreirinhas. Preferiu apoiar a reeleição do mal falado Miltinho Dias (PT). Mas que tem isso a ver? Tem a ver que nosso herói é sobrinho de Léo Costa e só então começou a perceber em Jackson “uma clara opção pelos grupos de matriz oligárquica”... Jackson, a bem da verdade, tem o argumento, sincero ou não, do “antissarneísmo”. Ele e seus admiradores sustentam que vale tudo para derrotar o “sarneísmo”, mesmo onde o sarneísmo é fraco, como em São Luis. Assim, em cada município o governador escolheu o candidato mais forte da sua base de apoio, pouco importando a qualidade da base, o partido ou outro distintivo qualquer. Concorde você ou discorde do ex-governador; veja nele um libertador ou um político desastrado e medíocre, ou seja lá o que pense dele, não há como negar a coerência tática com que foi de Miltinho em Barreirinhas e Castelo (PSDB) na capital.

Garcia da academia

Incoerente é a pseudociência do analista da UFMA. Entrevistado após as eleições de 2008, disse o seguinte: “A vitória de João Castelo (PSDB) na disputa pela prefeitura de São Luís e o desfecho das eleições municipais no Estado representam a segunda grande derrota consecutiva do grupo Sarney e seus apoiadores”. Informou também que “Além da derrota em São Luís, o grupo Sarney também saiu derrotado no Estado como um todo. Dos 217 municípios maranhenses, dois terços passarão a ser administrados, a partir de janeiro de 2009, por prefeitos dos partidos que compõem a Frente de Libertação do Maranhão, liderada por PDT e PSDB.” (Leia a íntegra aqui.).

Note que essa declaração coincide com a que foi proferida pelo jornalista Alexandre Garcia, da Globo, cujos escrúpulos profissionais rivalizam com os do professor. Mais direto e não menos falso, ele também informou que a eleição em São Luís confrontara Castelo e Flávio Dino, “candidato da família Sarney”. Quem mora em São Luís não precisa que eu explique. Os candidatos sarneístas foram arrasados no 1o turno e nunca sequer ameçaram chegar ao 2o. A disputa real travou-se entre um candidato da esquerda lulista, Flávio Dino (PCdoB-PT), e o tucano Castelo (PSDB), apoiado por Jackson (PDT).

Tampouco é ciência informar simploriamente que a eleição no interior foi ganha por alguma “frente de libertação”. Foi ganha pelo Governo, como sempre acontece no Maranhão. A maioria dos que foram eleitos no esquema Jackson presentemente já voltou a Roseana, como antes havia passado de Roseana a Zé Reinaldo e de Zé Reinaldo a Jackson e amaria o próprio Cão, se o Cão tivesse a chave do cofre. Só o “pesquisador” ignora esses fatos.

Palavreado de boteco

Uma última palavra sobre a ameaça que nos faz o professor Cabral de lançar no ventilador a conclusão de suas pesquisas. Faniquitos pornográficios pseudoéticos nada tem a ver com reflexão ou ciência política. Qualquer um do vulgo é capaz de usar desse palavreado de boteco contra os políticos e a própria vida, sem se dar ares de prima dona da academia. De um historiador espera-se não apenas mais inteligência e cultura, como até mais elegância de estilo. Por isso o chamei de professor de merda ― no caso, a metáfora exata.

De mais a mais, na recente eleição da Apruma (Associação dos Professores da UFMA), Cabral procurou uma das facções concorrentes pedindo uma vaga na chapa. Por bons e diversos motivos, recusaram-lhe. Daí em diante passou a pregar o voto nulo.

Essa versão light do fisiologismo pode bem passar como um pecado “venial”, não necessariamente venal. Sendo o ser humano o que é, compreende-se que o professor achasse a chapa boa com ele, mas ruim sem ele ou alguém do seu grupelho. Quem haverá de condená-lo por tão pouco, ou por desejar que o tio fosse prefeito de um balneário tão aprazível quanto Barreirinhas? Em todo caso, se ele quer mesmo puxar a descarga, faça-o por sua conta e risco. Leia a calúnia de Cabral, aqui.

Bom conselho

Do presidente da Associção dos Professores da Universidade Federal do Maranhão (Apruma), professor Policarpo Costa Neto, recebi, em caráter pessoal: "Caro amigo, Minha solidariedade, associada a um lembrete: as ciências econômicas tratam com muita relevância, do conceito de custo de oportunidade dos fatores de produção (terra, trabalho e capital), este definido como sendo o melhor emprego de cada fator, de modo a proporcionar melhor resultado. Assim, sugiro que você use o seu tempo naquilo que seja melhor para seus leitores. Deixe os vermes que deles o subsolo cuidará. Um abraço. Policarpo Costa Neto, engenheiro agrônomo e professor".
 
(15) Comentários
 
 
Recentes
Jornalista de dois mundos ...
Vita Brevis (Walter Rodrig ...
Bolsa Família não vicia ...
PT nacional decide o Maran ...
Um cavalheiro bem informad ...
Lula quer senador do PT-MA ...
Sindicalista critica Evang ...
Dilma vai chegando ...
Apruma solidária com a Uem ...
TJ reabre delegacias 'degr ...
Luís Moura de volta à Polí ...
Processo pode esclarecer d ...
Uema: reitoria barra diálo ...
TSE informa regra para ali ...
Múltiplas notas ...
Espeto de Pau engasga o MP ...
Sem palavras ...
Crise na esquerda do Maran ...
Professor polemiza com PCd ...
Rocha toma lugar de Vidiga ...
 
Todos os direitos reservados ® Walter Rodrigues 2010 - Desenvolvido por Innovare Sistemas